sexta-feira, 30 de junho de 2017

Amor incondicional

Hoje decido deixar você partir. Assim, como se isso fosse uma decisão minha, arrogante que sou... Ou teimosa, como você repetiu tantas vezes. Não aceito, repeti como mantra por dias e meses, como se isso fosse fazer você continuar ao meu lado, não ir embora...

Como se ir embora fosse uma coisa que você de fato pudesse fazer, como se não estivesse tão dentro de mim mesma que partir fosse simplesmente impossível. Parte do meu DNA, minha composição, meu "eu" que eu menos posso controlar, digo, nada posso controlar.

Você está em cada vírgula dos meus passos, em casa respiro dos meus atos. Seu olhar contemplador, sua melancolia expressa em um sorriso sincero de amor sofrido, seu humor sutil, quase tímido, mas certeiro.

Não, não desejo estar longe de você, nunca, pois adoro escutar suas histórias, contestar suas crenças, rir de grandes bobagens e brindar uma felicidade ou afogar uma tristeza. Eu não sei lidar com sua ausência, porque ela não existe, porque eu me recuso a negar tudo o que há de você em mim. Porque o nosso amor é aquele incondicional e infinito, que o olhar entrega a cumplicidade entre nós, assim como todas as concessões feitas para que esse amor e essa cumplicidade não se estraguem. E o gesto entrega todo o cuidado para que nada se quebre.

Mas um dia algo se espatifou em um silencioso crack. Algo que sugou as suas energias, os seus sorrisos, os seu humor... e a melancolia ficou apenas triste e dolorida. As palavras ficaram fracas e o sorriso cada vez mais tímido. E os olhos, antes vivos como o céu em um dia de sol, ficaram nublados, opacos e baixos. Sua pele começou a se esfarelar, seu toque ficou fraco... assim como seu coração já havia ficado há alguns anos.

Sua vida havia estagnado, seu corpo se esvaído pela falta de cuidado... e então sua alma voou em busca de um lugar melhor para viver.

Assim, de repente ela se foi. Se foi..... voou.... Acho que talvez esteja cantando e dançando tango e bolero em um lugar lindo... Sem, talvez, ainsa ter certeza que não está mais sofrendo, que está agora livre para ser feliz. Talvez ela esteja vivendo o conto de fadas que sempre sonhou para ela, realizando todos os seus sonhos...

Fico feliz de imaginar que isso acontece agora. Que ela está feliz como eu não a pude fazer enquanto ao meu lado, como se isso fosse minha tarefa. Que ela agora tenha encontrado a alegria e o sorriso que havia perdido há tantos anos... que ela esteja em paz.

Já eu, que não acredito em quase nada disso, que eu consiga achar conforto em sua crença. Mas que ao menos ela te conforte, vó! Que ela te abrace e te faça feliz, porque é tudo o que eu desejo, sua felicidade.

Eu só queria te ver mais uma vez sorrindo aquele sorriso solto, dançando e cantando as suas músicas preferidas que há tantos anos nem sequer podia escutar.

Então, que você viva nas minhas melhores lembranças, entre as mais felizes e as mais tristes que tive. E que eu consiga lidar com o passar do tempo e a inconstância de tudo o que está sobre esse pequeno planeta, parte de um infinito universo que nada significa para tantos seres espalhados pela imensidão.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O que me assombra

O que me assombra tem asas, e voa.
Eu não.

O que me assombra tem antenas,
e percebe o mundo
muito mais sutilmente que eu.

O que me assombra tem seu cérebro espalhado pelo corpo,
e não morre tão fácil quanto eu.
         O que assombra também me apavora,
         me dá nojo,
         ânsia.

E aparece repentinamente,
na calada da noite,
sozinha,
pra provar que tem mais poder que eu
e atrapalhar meu momento mais íntimo.

Ontem ela me tocou,
e o abismo que havia entre nós passou,
em um segundo,
a fazer parte do meu ser.

O pavor do seu toque,
agora concretizado em meu calcanhar,
provou-me que não sou tão limpa quanto imaginava,
mas um bicho arredio, fraco, patético,
e condenado à desgraça,
à imundície.

Ela se limpou após me tocar,
disso nunca me esquecerei.
Ela teve mais nojo de mim, que eu dela.
                      A mim, só me restou chorar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Sra. Otário-idiota

O cara só pode ser um otário. Ou não teria postado aquela foto idiota dele comendo uma porra de um macarrão gourmet que ele mesmo cozinhou, tomando um vinho com notas de sei lá que merda e que deixou ele com uma cara de idiota! Mais que o usual.

E o pior é que eu tive uma foto deste mesmo otário-idiota na cabeceira da minha cama, durante anos. ANOS! De um lado a foto de nós dois sorrindo e do outro o próprio otário. E eu achava que era feliz. Eu, a senhora otário-idiota. Talvez eu até tenha sido mesmo, eu achei que sim. Até o dia que... Ninguém acreditou na época, mas eu sei a verdade.

A gente jogou coisas pela janela, enquanto mandava o outro tomar no cú, ou ir à merda, coisas assim... Eu joguei copos, ele jogou discos, e por sorte ninguém passava pela rua naquela hora. Eu saí andando... e encontrei aquela mesma moça na praça. Ela estava ao celular, acho que falava com Deus. Ela sempre estava ali, pedindo cigarro pra quem passava, ou falando no celular que deve ter pegado em algum lixo.

O fato é que naquele dia, naquele instante, eu percebi que eu estava apaixonada por ela. Alguma coisa mágica aconteceu naquele dia específico, que eu entendi que ela era quem poderia me tornar um ser humano completo, total. Andaríamos juntas livres pelo mundo, parando quando desse vontade, se desse vontade. Sem rumo. Sem nada.

Principalmente, eu não queria nunca mais ter tapete. Eu sempre olhava pros tapetes da minha casa e pensava como eu tinha chegado ao ponto de ter tapete em casa? Quando eu parei de precisar apenas do essencial? Era irritante olhar pros tapetes, muito irritante. Triste até.

Eu só não queria mais sentar naquele mesmo bar, com aqueles mesmos idiotas, ouvindo aquelas mesmas merdas machistas, aguentando o otário-idiota em questão, ou qualquer outro. Não queria mais ouvir aqueles mesmos discos com aqueles mesmos amigos meus e do otário-idiota. Eu sei que eu queria deixar as coisas saírem de mim, as vontades nascerem de mim... e parar de querer o que eu não quero de fato.

Eu me sentei ao seu lado e disse: é com Deus que você está falando? Ela olhou assustada para mim e respondeu: por que você está falando comigo? Quem é você? Eu sou uma idiota aí... e eu te acho linda. Ela gargalhou de forma que me deu medo. Você é louca, isso sim. Sai fora, vai trabalhar! Não posso. Eu não quero mais fazer nada do que eu fiz até hoje. E você quer fazer o que? Fugir com você. Ser livre.


Livre? Você disse que era idiota e eu vou ter que concordar. Me dá 10 reais pra eu comprar uma pedra!? Anda logo! Mas eu não tenho nada, saí sem nada de casa, depois de brigar com... Cala a boca caralho, eu vou te furar se você não me der dinheiro, sua puta. Mas, a gente deveria fugir juntas, eu te amo. Sua otária. Vai se fuder e me deixa em paz! Ela saiu andando.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

euGuimarãesemeuavô

Meu avô é uma memória que fica ali, naquela caixinha de todas as alegrias da minha infância.
Hoje é aniversário de seu nascimento, e eu só posso ficar feliz por ter tido o melhor avô do mundo, porque era isso que ele era: o avô mais lindo, mais forte, mais amoroso, e que tinha pernas bastante peludas só pra eu poder brincar de puxar os pelinhos enquanto estava sentada em seu colo conversando com ele na cozinha, de tardezinha... até o anoitecer.

Meu avô conheceu o Guimarães Rosa... e um dia eu soube disso ao abrir um livro que o autor tinha autografado para ele, com um recado carinhoso. Era o Terceiras estórias... meu amor aumentou mais, minha admiração aumentou mais, e também meu desejo de que agora eu pudesse, já adulta, sentar com meu avô para dividir uma cerveja e escutar todas as suas estórias com Guimarães.

Esses dois homens que eu amo um dia sentaram e tomaram uma cerveja, talvez outra coisa, conversando sobre a vida, sobre literatura? Ou será sobre o que falaram?... Eu nunca saberei os segredos que compartilharam... e isso não posso mudar. Amargo o sabor da frustração.

Meu avô era quem me incentivava a dançar, uma grande paixão minha. Hoje eu gosto ainda mais é de escrever, aliás, já gostava das duas coisas quando a gente convivia... mas hoje eu queria saber das estórias deles dois... e queria que eles dois soubessem das minhas estórias, e que a gente conversasse sobre a vida e sobre literatura e sobre amores e desamores... e pudéssemos chorar juntos, sorrir juntos e quem sabe até dançar... euGuimarãesemeuavô.

Eu ia me sentir muito importante e quem sabe até acreditasse que eu sei escrever, não como Guimarães, claro que não. Mas como uma admiradora que gostaria de poder me contagiar das palavras daqueles dois homens que eu amo e que um dia estiveram na mesma sala, e ficaram amigos. Amigos será? Amigos, cúmplices!

Eu me lembro de conversar coisas muito importantes com meu avô, sobre o amor por exemplo. E de ler estórias belíssimas de Guimarães... mas os dois juntos?! Só nos meus sonhos posso viver esse encontro. Em meus delírios de escritora e bailarina... Eu dançaria pro meu avô e pra João, seu amigo. Uma música argentina, um tango... e então dançaria com um, e depois com o outro. E depois escreveria a mais bela estória de amor da minha vida.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Porque não sei desenhar

Fecha os olhos! Agora tenta imaginar o que eu estou vendo... Essa moça esta andando na rua, no centro de São Paulo, com um cabelo longo e liso e um vestido azul-claro longo, de tecido bem leve, que se movimenta muito mais do que ela, que nesse momento se arrepiou, mais de medo do que pelo frescor da brisa.

Ela começou a chorar. Ela andava meio sem rumo, sem se lembrar do seu nome... Ela só sentia um desejo por ver um rosto específico, do qual se lembrava muito bem, no meio daquela multidão disforme, difusa e rápida.

Sentia um cheiro de rosas, mas que se misturava ao de mijo que subia das ruas, dos becos por onde agora estava.

Não parecia ter a menor importância o nome de nada, nem mesmo daquela figura que insistia na memória dela. Mas as formas e os cheiros eram a única realidade interessante para ela, que sentia vontade e girava, em êxtase com aquele odor misto, com as emoções que a faziam então chorar e querer virar uma pomba.

Uma pomba? Que desejo absurdo! Devia querer ser uma ave mais nobre. Mas não, ela queria ser uma pomba e ganhar migalhas de pão de todos aqueles passantes... de todos os tipos de homens, mulheres e crianças.

É isso, ela era eclética, era livre, e queria se doar e receber de todos e qualquer um que quisessem usufruir do seu existir. Sentia-se sensual, e girava enquanto grunhia como aquelas pombas ao seu redor. Talvez ela quisesse ser uma pomba branca, pela simbologia da paz.. e acalmar, por isso, os desejos sexuais que a estavam tomando cada vez mais. Ela era toda tesão naquele momento, e queria engolir o ar, o mundo, os cheiros... queria engolir as pessoas, sentir seus gostos de suor, tesão e frustração. Queria engolir tudo. E quando se sentisse satisfeita ela iria implodir, e libertar a eles todos de uma só vez.

Libertá-los de sua estupidez, de sua ignorância, da arrogância que ela própria sente por, apesar de ser uma idiota, ainda se saber tão melhor que a maior parte das pessoas que passam por ela diariamente. Seus malditos! Seus... seus... seres humanos desprezíveis! Que eu quero foder! Todos! E ao menos sentir o gosto da carne, do sangue que derramam cotidianamente.

Se ao menos eu soubesse desenhar, faria lindas ilustrações do mundo que imagino quando tenho esperanças. Mas não sei desenhar... então apenas vomito no papel palavras, e peço a você, leitor medíocre, que visualize meu mundo tão vulgar, e escroto.

Mas queria saber desenhar fadas, nuvens, carros voadores, sei lá... se eu soubesse desenhar eu saberia o que é bonito de se criar. Mas eu não sei. Eu sou só esse bosta, que finge ser uma fada de vestido azul esvoaçante e pede que você, leitor, seja capaz de desenhar mentalmente o que não posso pôr no papel. Obrigada.

Seu bosta! Bosta que deve ser muito mais feliz que eu. Bosta que não deve feder como eu. Bosta que outros querem comer, mas eu quero esfregar na minha cara e me olhar no espelho. Pra ver se me sinto melhor.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Vazão... esvaiu-se
Nada mais pôde
ou quis fazer

Acabou enfim
qualquer ânimo
...

Fresta

SSSSSSSS....
Quieta.
Acorda pro arco-íris
Que acabou
deixando apenas o odor
de chuva
pingando na memória
lenta

Cata... cata...
sssssssss......
catapulta surda
Muda de lado
observando o tempo
de um átomo
amarelo e laranja
molhado e quieto.

Treme um calafrio
fluido e azul
imergindo totalmente
qualquer pensamento
vadio, sadio
Concreto.

O veto direto
Atravessou, estancou
o que anteontem
se esvaía
em chamas!

Vazava então... por cada mínima fresta que restou
bem aos pouquinhos
com medo do que
antes ardia
e agora tem que calar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sinto uma brisa vindo do quarto
Suspiro longo em azul
Incitando o meu retorno
Pros deleites vulgares
De paraísos distópicos
Que meu otimismo cisma em criar.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Ébria de oposição


Devir
vir a ser
romper
transparecer.

Acelero
depressa demais
contra a imagem,
espelho côncavo,
que retém meus desejos.

Agressiva,
hostil
exigindo o novo
Amoleço a matéria
que desperta
dura demais.

Na solidão vadia
Ativo quereres
e testo a força
ociosa de deveres.

Penetro porões
desconhecidos
e ricos de perspectivas...
Entre introversão
e sólida extração
sanguínea de impulsos

em dinâmica oposição.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Descobertas profundas
Sempre virão
Com grandes mudanças

De um crescente estado
De potência nasce
A transubstanciação.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Quimera

Finjo tanto que chego quase a acreditar que sou alguém
que de fato sente
que de fato sofre
que, de fato, positivamente
encara que a vida é uma farsa
é um talvez
é um pudera
é um quem dera

Que o mundo fosse diferente
na mente que se sente
sempre tão divergente
mas mente que de fato sente

Porque de fato ela ressente
por ser tão indiferente
por não sentir mais nada
por não saber absolutamente
quem é, ou quem de fato
sempre quis ser, sem saber
nem entender

o que significa viver?

Nunca soube nem acho mais
que um dia chegarei a crer
que existe um por quê
que existe um querer
mas apenas o eterno des_faz_er

que nem fim deve ser
mas um se reverter em absolutamente tudo
e nada... e em paz, com sabor
de terra molhada e de bolor,
na beleza do se decompor
e finalmente ser tudo porque absolutamente nada mais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De mãos dadas com meu herói

Aquele cheiro de tangerina saiu da minha caneca diretamente em direção às minhas memórias...

Eu descia a rua de casa, vindo do mercadinho onde minha família tinha conta na caderneta. Tínhamos ido, meu avô e eu, comprar qualquer coisa que precisavam para o almoço daquele dia de fim de semana. Ou talvez fosse só a cerveja para molhar os papos.

Lembro-me que o dia estava bonito e a rua era de paralelepípedo e bastante ingrime. A sacola que meu avô carregava era de lona verde e muito batida. Era sua predileta. Descíamos a rua sorrindo e conversando. Com uma mão eu segurava o dedão da mão grande de meu avô. Com a outra mão eu segurava um picolé de tangerina e não sabia o que me dava mais prazer, o gosto do picolé ou o simples fato de estar passeando de mãos dadas com meu avô.

Um amor profundo percorreu meu coração naquele dia e hoje eu o senti completa e novamente. Eu voltei àquele momento por um instante, de olhos fechados, enquanto tomava meu chá. E sorri de novo, apesar da dor da saudade, mas com a certeza de que amei e fui amada por meu maior herói.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Poema de mim

Quando corro
sem querer me
perder
pra saber do pouco
que ainda há de querer

Com medo
de nunca encontrar
aquilo que me tenha
sentido
e me faça voltar

Chego n'algum lugar
ermo, vazio e 
Não acho...
apenas me percebo
com medo

sem desejo de nada
sem vontade de vida
sem espaço pra nada
sem perspectiva

Cansada de dispersar
tanta energia no ar
sem foco, sem fio, sem par
sem ninguém no meu lugar

Onde eu mesma
nunca quis estar
de onde corri sem parar...
de onde não posso me destacar

Eu não quero,
não quero!
Eu quero sair
quero fugir
sumir

Me deixe ir
Deixe-me fingir
que partir é o caminho
pois dentro do ninho
não há espelhos pra mim

Me deixe respirar...
meu desejo é voar
me desapegar
deste corpo, transmutar. 

minha vontade é escapar
não estar num lugar
mas ser todo o mundo
em deleite eterno e profundo.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O Cume

Cumieira...
Cume? ladeira?
Parece chuva
longe

Parece tempestade
bem aqui.

No alto da nuvem
de onde o vento sai
com pressa e
me leva
me eleva
me espera
cair

Tem sonhos
que morrem sonhos
pois não querem
se desgastar
ou desistir
de sonhar
e chorar

Então vivo um zumbi
escravo de mim
de ralidades
e insanidades

Vivo o hoje
querendo que acabe
que um dia
essa casa que se abre
cesse de ceder
de fingir ser
o alvorecer e não
o lindo entardecer

Em laranja e rosa
em bolo, café e prosa
em colo e cafuné
em reza com fé

Em montanha e terra
Em águas e muito ar
Em simples ser
Em profundo amar.

Meu deus,
por todos os deuses,
me diz
foi mesmo você
quem me deu esta vida
sofrida?

Um chegar
já com com sabor salgado
de despedidas
constatntes, doídas...
e a sequência de novo
do novo, da vida?

Que insiste em vencer
em lutar querendo
ser feliz!

Desejando desvelar
o sentido do caminho
o fundo do poço
e o brilho do luar

Cheia de canto,
de alegrias medrosas
do gostar demais
do se entregar à dança
e se perder sem fim

do azul e do negro
do misterioso universo (              
                                                      )


Medo de consumir todo o oxigênio
e quando chegar beeeem alto
não conseguir respirar
E sufocar o grito
que por toda a vida
esperou o cume
pra se revelar.